Na sessão mais recente da Câmara Municipal de Campo Largo, foi aprovada uma moção de repúdio contra a Gazeta de Campo Largo, sob a justificativa de que o veículo teria publicado “falsas notícias” que “denegririam” a imagem dos parlamentares e “maculariam” o trabalho legislativo. Isso mesmo: uma moção — como se um carimbo oficial fosse suficiente para transformar desconforto em censura.
O episódio levanta uma discussão necessária (e até um pouco cômica, se não fosse trágica): o que assusta mais — uma manchete ou a realidade que ela expõe?
Um espelho que incomoda
A imprensa, como já dizia Millôr Fernandes, não deve servir ao poder, mas vigiá-lo. Quando um grupo de parlamentares tenta transformar uma crítica pública em motivo para constranger um veículo de comunicação, não estamos diante de uma resposta — estamos diante de um incômodo.
A moção, que não tem valor legal nem efeito prático, funciona como um “recado” simbólico: “não gostamos do que vocês disseram.” O que é curioso, porque o papel da imprensa nunca foi agradar, mas mostrar o que está sendo feito — ou deixado de fazer — com o dinheiro e a confiança da população.
A palavra errada no lugar certo
Ainda mais emblemático é o uso do termo “denegrir” no discurso lido na tribuna. Uma palavra racista, já banida dos meios de comunicação responsáveis e progressistas, que sobrevive no vocabulário de quem ainda não entendeu que linguagem também é poder. Usá-la justamente num contexto de ataque à imprensa diz muito. Muito mesmo.
Um recado à sociedade
O que se tentou fazer com essa moção foi inverter os papéis: culpar o espelho por refletir a bagunça do quarto. Mas a população campo-larguense está mais atenta. Ela sabe quem aparece só em ano eleitoral, quem vota sem ler, quem some quando a cidade precisa e, agora, quem tenta calar a imprensa quando se sente exposto.
A Gazeta de Campo Largo segue firme: ouvindo todos os lados, publicando o que é de interesse público e mantendo a ética como norte. Porque o jornalismo não vive de aplausos de políticos. Vive de credibilidade com o povo.
A democracia, afinal, não se faz com moções de repúdio, mas com transparência, responsabilidade e coragem para ouvir críticas sem tentar apagar o mensageiro.
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