Gazeta Campo Largo ganha notoriedade dentro da Câmara de Campo Largo

Na última sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Largo, a Gazeta Campo Largo se viu no centro de um embate político, quando o presidente da Casa, vereador Alexandre Guimarães (PDT), reagiu a uma crítica publicada pelo veículo. A matéria em questão, que descrevia a atual configuração política da Câmara como uma “unanimidade conveniente ao Executivo”, levantou questões importantes sobre a independência do Legislativo e o papel da oposição no município.

Guimarães, em um pronunciamento repleto de acusações, qualificou a reportagem da Gazeta como “fake news”, uma tentativa de desqualificar a atuação do Legislativo e sua própria gestão à frente da Câmara. O vereador, que tem mantido uma postura próxima ao Executivo e a sua base de apoio, contestou as alegações de que a Câmara estava funcionando como uma espécie de “chapa unânime” ao lado do prefeito Maurício Rivabem, sem espaço para um debate político real.

“Repostar fake news é contribuir com fake news”, disse Guimarães, em um tom combativo, defendendo a imagem do Legislativo e atacando o conteúdo publicado pelo portal. Para ele, a Câmara tem se esforçado para promover debates e garantir a participação popular, seja por meio de audiências públicas ou pela análise de projetos enviados pela Prefeitura.

No entanto, a defesa do vereador falha ao não reconhecer que a falta de uma oposição efetiva dentro do Legislativo é um problema que transcende qualquer acusação. A crítica da Gazeta não visava atacar a instituição, mas sim questionar uma realidade que muitos cidadãos de Campo Largo observam com preocupação: a ausência de um contraponto forte, capaz de fazer com que as decisões sejam debatidas de maneira aprofundada e fiscalizadas com rigor.

É importante lembrar que o papel do jornalismo, especialmente da Gazeta Campo Largo, é exatamente o de fazer perguntas e provocar discussões que, muitas vezes, são ignoradas ou minimizadas pelas esferas de poder. Quando dizemos que o Legislativo tem sido uma “unanimidade conveniente”, estamos destacando uma realidade que é de conhecimento de muitos munícipes: as questões importantes para a cidade, que afetam diretamente a vida da população, muitas vezes não são discutidas com a profundidade necessária, e isso é uma falha não só do Executivo, mas também da Casa Legislativa.

A acusação de “fake news” contra a Gazeta Campo Largo é um expediente que tenta desviar a atenção do debate central, tentando invalidar um questionamento legítimo. A verdade é que a cidade precisa de mais do que apenas uma Câmara que siga o fluxo da administração municipal. Ela precisa de uma Câmara que dialogue com a sociedade, que critique quando necessário e que atue como verdadeira fiscalizadora das ações do poder Executivo. A Gazeta Campo Largo tem cumprido o seu papel de alertar a população, sem medo de enfrentar os poderosos, como deveria fazer qualquer veículo de comunicação comprometido com a democracia.

O que Guimarães não menciona é que uma democracia saudável depende da divergência de ideias, da existência de uma oposição atuante e da liberdade da imprensa para questionar e criticar. Quando a crítica é vista como um ataque ou uma tentativa de enfraquecer, ao invés de ser vista como um convite ao debate construtivo, estamos lidando com uma democracia em risco.

A Gazeta Campo Largo não se coloca como inimiga de qualquer um dos envolvidos. Nosso papel é o de informar, de questionar e de garantir que a cidade de Campo Largo tenha um espaço de reflexão e debate público, em que todos, incluindo o Executivo e o Legislativo, sejam desafiados a agir com mais transparência e responsabilidade.

Portanto, ao invés de desqualificar quem questiona, o que a cidade precisa é de mais espaço para o contraditório. Precisamos de uma política em que a pluralidade de ideias seja realmente a regra e não uma exceção. Que a crítica seja vista como algo positivo e que os poderes se lembrem sempre de sua função primordial: servir ao povo.

A Gazeta Campo Largo continuará, como sempre, a cumprir seu papel de watchdog da sociedade, trazendo à tona o que precisa ser discutido e cobrando, como não poderia deixar de ser, mais transparência e participação para todos os campos do poder público em nossa cidade.